sábado, 3 de dezembro de 2011

Impulsos

Traço vontades, ecos ancestrais
em impulsos obscuros e ambíguos.
Escuto sem cansaço teus sinais
de vales cristalinos e longínquos.

Nos desertos de gelo e de febre
se aproximam ventos de outros céus
libertando correntes do casebre
em abismos negros e espelhos meus.

Agasalho as palavras com a luz
de poetas distantes, que flutuam
no alto transparente. Algo me induz

a viajar, sair de mim, sem medo,
ondulando em silêncio e segredo
a sonhar com imagens que nos amam!


Transcendência

O Verbo purifica todo o ser
quando no vácuo cósmico se procura
uma força invisível a tecer...
a razão da ansiedade que se obscura.

Penetro em universos ao viver
distâncias, movimentos de ventura
que me fazem sentir o alvorecer
de uma ideia que fulge e se estrutura...

Sei que o indefinido me atrai
em viagens onde eu trago essência
e paira um pensamento que perdura;

que em imagens da mente não me sai
levando-me a crer numa existência
sem corpo, nem matéria, e mais pura!


Azul

O mar, o vento, búzios do passado,
voz das emoções, ecos fundos, sonhos
que pairam no destino acordado,
espreitam os agoiros hediondos.

No manto azul encontro a essência
das idades da alma, flores da mente,
que súbitas, velozes na existência,
sopram as nostalgias e o presente.

Peregrino de estradas, céus que invento,
busco a luz na vontade do momento
que, breve na ilusão, densa perdura.

Cor infinita, mística e pura,
asas do meu silêncio triunfantes
voando loucamente e inconstantes…

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011



1 DE JULHO DE 2007

O bálsamo adoeceu
sem vontade peregrina.
Não escuto a palavra
da tua língua.

A tarde que os sentidos lia
na ternura do tempo,
agora nada sabe
do coração que ilumina.

Pertenço às rugas da ilha,
ao sangue extasiado de bruma
– caminhos suspensos
em folhagem e sombra
quando sobre o mar
um fruto maior se inclina.


Que me importa!

No destino do silêncio impuro
tudo me fere de pobres ruídos
e na procura do tédio obscuro
cega-me a lógica dos sentidos…

Que espero do teu véu invisível,
da imensa mágoa e brancura ingente?
Quem se move em seio imperecível
purificando a palavra e a mente?

Quero o fogo do instante, que me importa
o lugar, o sol, o jardim, ou fonte…
se mato a sede quando abres a porta
e bebo a luz de um novo horizonte

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011



Vertigem

Há tédio que assombra e não entendo
a loucura que engana a dor.
Em teia do outro não compreendo
mágoas e abismos de fervor….

Tudo é estranho nas vozes da escrita
em imagens que flutuam em nós.
Da pura vertigem que se agita
somos vampiros de paixão feroz.

Bebemos treva, sombra, claridade,
sem sabermos o nome ou raiz
das vibrações que fulgem do mistério;

e na brancura de asas sem matriz
penetramos em silêncios do etéreo
jubilando com a luz da eternidade…


Alucinações

Quero incendiar-me no espaço,
ser cauda, mito, fogo dos cometas,
viajar no universo, só, esparso,
sentindo a alma da noite e das estrelas.

Quero a liberdade do desejo,
voar entre penhascos escondidos
e em mares do sonho que eu vejo,
encontrar pensamentos perdidos…

Quero o eco da ideia universal,
ser corpo da vontade que a escuta
como forma em pura Catedral
sedenta por matéria impoluta...!