
PRAIA DOS MOINHOS
Meu olhar pousava
em ondas próximas de Setembro.
Das nuvens por cima de nós
as palavras soltavam-se
calmas como a tarde
que se aproximava
em sua voz.
Por trás do ombro,
a música da ribeira
adormecia o próprio sono
que – sobre as casas –
se inclinava.
No sangue,
continuam rubras as flores
em coágulo distante
e reacendido.
Trepam pelas barreiras,
ali, junto ao mar,
erguendo a velha casa
com risos traquinas a saltar
– tempo menino que passou,
em berço de espuma
que me embalou,
nestas ilhas de bruma.
Naquela tarde,
diferente de todas tardes,
o eco das aves acompanhava
o passado de um olhar.
As negras rochas,
sentinelas do mar,
circundam a praia
como réptil de sólida lava
a repousar.
Praia dos Moinhos: tempo
que meu silêncio não cala
– por chamar.
Albufeira, 7 de setembro de 2009
Sem comentários:
Enviar um comentário