
FAROL
Farol de contemplação,
vigília implacável
sobre os rumos da vida.
Do mais fundo de ti
se levanta a presença de névoa,
de vento e aroma.
No teu coração cintilam caminhos
em sangue adolescente,
onde o idílico amor se passeia
na areia húmida das praias.
Mora em tua luz intermitente
a doce melancolia da alma
que, em direcção à bruma
e à inquieta leveza do mar,
forma o silêncio que acalma.
Farol, sentinela do tempo,
como ser que tece no interior
a sua mais profunda fome:
sede de anónimos passos
em próprio refúgio e abandono.
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