domingo, 21 de fevereiro de 2010


A MINHA RUA

Os sentidos testemunham
cascos na madrugada
e rapazes e raparigas
caminham em algazarra.
A tarde avança
em véu de mínima luz
e repetem o ritual, ao fim da tarde,
cansados da colheita do chá.
A força perde-se no cansaço,
e ao pedir sono e repouso
tudo se renova e recomeça.
Reconheço-os quando chegam
em vozes encolhidas.
Não sabem da existência
do meu olhar quando passam.
Agora a nossa idade envelheceu
e a aldeia – em ruas, casas
e outras coisas... cresceu.
Na luz e na sombra do meu quarto,
em Albufeira, rapazes
e raparigas cantam
na rua da minha infância.
Quando chego à ilha
o eco, em seus passos,
é pesado e lento
e as vozes alegres
– dissiparam-se
em caminhos árduos
e incertos da vida.
A idade menino passa
com pressa,
e em cuidados de pai
e peitos de mãe,
eu, eles e elas envelhecem.

24 de Julho de 2009

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